TheNewspaperParadox: Por que o jornalismo de qualidade está em declínio enquanto a grande mídia obtém enormes lucros?

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A Internet não mudou apenas a forma como lemos. Foi uma quebra de contrato.

Você paga pelo jornalismo há décadas. Você comprou um jornal. Você tem a informação. Essa transação foi simples. Claro. justo.

Depois, há a Internet.

De repente, a mesma informação é gratuita. Clique fora. Leia agora. Não há despesas. Nenhuma discussão. A proposta de valor da impressão paga entrou em colapso da noite para o dia.

Esta mudança desencadeou uma crise mediática que continua até hoje. A circulação prejudicada não é o único problema. Trata-se de sobreviver à diversidade no jornalismo.

O jornalismo de qualidade está se tornando uma espécie em extinção. As investigações aprofundadas. A reportagem local. Verificação de fatos. Estes estão se tornando bens de luxo. Ou desaparece completamente.

No entanto, há um problema aqui.

Uma grande empresa de mídia. grupo empresarial. As marcas legadas. Eles ainda ganham dinheiro.

como?

Eles não pararam de vender notícias. Eles mudaram o modelo. Eles alavancaram a escala. Eles diversificaram. Otimizado.

Mas e o custo?

A riqueza do nosso ambiente de informação. múltiplas vozes. Independência da mídia.

Estamos diante de uma contradição.

Acesso mais barato. A qualidade é ainda pior. Maiores lucros podem ser alcançados se a plataforma for controlada por menos pessoas.

A questão não é se a Internet matou os jornais. Isso aconteceu.

A questão é: quem pagará o preço pela verdade?

Quem decide o que vale a pena relatar?

Há vinte anos, ler jornais online era um sonho. Quando os jornais alemães ficaram online em 1995, o ecossistema digital ainda era escasso. No final do ano, apenas 13 publicações tinham ultrapassado o limiar digital. Os leitores não estavam exatamente fazendo fila para receber esses feeds de notícias simplificados. Não há infraestrutura.

Uma investigação conjunta da ARD e da ZDF em 1997 revelou a dura realidade. Apenas 6,5% dos alemães estavam online. Essas pessoas? A maioria deles homens, educados e ricos. Eles têm dinheiro para comprar equipamentos de informática caros e paciência para pagar por conexões dial-up por minuto. Esse grupo demográfico inicial formou o DNA da Internet. É por isso que a informação online é praticamente gratuita hoje em dia. O que começou como uma ferramenta promocional para edições impressas e um ímã para pioneiros experientes em tecnologia mudou para sempre o cenário da mídia.

Por que a consolidação da mídia prejudica a diversidade de notícias

A Internet é uma rede vasta e incompreensível de cabos e servidores. Os escritores de ficção científica nunca esperaram que o usássemos para tudo, desde namoro até coleta de notícias globais. Se quiser compreender o acordo de coligação, a guerra civil síria e a política da República Centro-Africana, tem várias opções.

Você pode comparar fontes. Você pode ler relatos de testemunhas oculares. Crie uma imagem abrangente de múltiplas perspectivas. Parece a era de ouro da diversidade de informações.

Não é.

A diversidade da imprensa na Alemanha está a desaparecer lentamente. Títulos consagrados como o Financial Times Deutschland fecharam as portas em 2012. O Frankfurter Allgemeine Zeitung só evitou a falência ao adquirir uma participação de 35% do rival Frankfurter Allgemeine Zeitung. Na maioria das áreas, os leitores locais têm pouca escolha entre jornais concorrentes. O restante dos jornais oferece praticamente o mesmo conteúdo em redações cada vez menores.

A radiodifusão oferece pouco alívio. Apenas cinco grupos de comunicação social controlam 60% do poder da opinião pública na Alemanha: ARD, Bertelsmann, Axel Springer, ProSiebenSat.1 e ZDF. O gabinete de comunicação social estatal da Baviera confirmou esta concentração em agosto.

Jornalismo como hobby

Os guardiões tradicionais estão desaparecendo. O que resta é um cenário fragmentado de jornalismo profissional, competindo com amadores e algoritmos. As barreiras à entrada na indústria editorial ruíram. Qualquer pessoa com um blog ou conta em mídia social pode reivindicar autoridade. Esta mudança corroeu o modelo financeiro que outrora apoiou o jornalismo de investigação. Sem receitas, o jornalismo de qualidade torna-se um luxo ou uma actividade voluntária. O público recebe mais ruído, mas menos sinal.

Compartilhar uma opinião costumava significar gritar para o vazio. Agora são necessários apenas alguns cliques. Blogueiros e jornalistas cidadãos são sempre apaixonados. Engajamento político. Interesses de nicho. Algumas dessas plataformas são confiáveis. Carta.info completou 5 anos em dezembro de 2013. Netzpolitik.org monitora os direitos civis digitais desde 2004. Eles estão estabelecidos. Alta qualidade.

Mas a paixão não paga o aluguel.

Há um limite para o escândalo com o qual você pode lidar antes de se esgotar. Não se pode trabalhar a tempo inteiro a dizer aos políticos o que fazer de graça. Essa excitação quebra modelos antigos.

Experiência do Huffington Post e trabalho não remunerado

AOL e Tomorrow Focus da Burda pretendem monetizar essa frustração. Eles lançaram o Huffington Post em alemão em outubro de 2013. Sua proposta é simples. Sem dinheiro. Apenas glória.

O editorial disse ao blogueiro Kai Petermann que eles podem oferecer alcance. Visitas adicionais. FOCUS Início da ajuda on-line. O que eles não podem oferecer? dinheiro.

A objeção de Peterman foi contundente. Ele incentiva os proprietários a fazerem “doações gratuitas” semelhantes. A mercearia. Posto de gasolina. Provedor de telecomunicações. Talvez eles também aceitem os serviços em troca de zero taxas.

Spoiler: Eles não fizeram.

Não se trata de construção de comunidade. Trata-se de obter valor sem pagar nada. Os operadores querem lucro. O autor recebeu uma compensação “intangível”. Na apertada economia da Alemanha, a electricidade não pode ser comprada com incentivos intangíveis.

A crise freelance

A crise não diz respeito apenas aos voluntários. Isso sangrou no jornalismo profissional.

De Abril de 2012 a Abril de 2013, o número de jornalistas desempregados aumentou 12,9 por cento. Este é um aumento significativo em comparação com a taxa de desemprego global, que aumentou apenas 2 por cento. A Agência Federal de Emprego informa que cerca de 4.300 profissionais de mídia desempregados estão competindo por apenas cerca de 400 vagas freelance.

Se você não conseguir encontrar um cargo estável de funcionário, torne-se freelance. Isso soa como liberdade. Muitas vezes é desespero.

O volume de negócios médio anual dos jornalistas independentes segurados pela segurança social dos artistas é de apenas 17.600 euros. Os lucros reais são menores. Esses ganhos são lamentáveis ​​em comparação com outras profissões acadêmicas.

Por que o valor da reportagem profissional entrou em colapso?

Porque a internet mudou dinheiro. Não é mais uma questão de precisão. Número de cliques.

Os cliques correspondem a receitas de publicidade. A receita de publicidade é a força vital da mídia online gratuita. E quantos cliques? Não há necessidade de pesquisa profunda. Tudo que você precisa é de volume. Conteúdo barato, rápido e sem esforço gera tráfego. O jornalismo sério não o faz, e não o faz em grande escala.

O paradoxo dos gigantes lucrativos da mídia

É aqui que a história fica obscura. Muitas vezes ouvimos que a Internet está a matar os meios de comunicação tradicionais.

Veja os lucros.

Grandes grupos de mídia ainda são lucrativos. O jornal está dobrado. As redações estão diminuindo. Os assinantes vão embora. Mas os grandes negócios estão crescendo.

Mathias Döpfner, CEO da Axel Springer, disse isso sem rodeios no seu relatório anual de 2012. Ele chamou a Internet de a maior invenção da história cultural, perdendo apenas para a escrita e a impressão. Ele chama isso de a maior oportunidade empreendedora do nosso tempo.

“Estou convencido de que a Axel Springer AG se beneficiará enormemente com essas mudanças e será capaz de aumentar de forma sustentável o seu valor corporativo.”

Ele não está falando sobre o jornalismo de qualidade salvar o dia. Ele fala sobre escala. Sobre o trânsito. Sobre mover conteúdo mais rápido do que outros.

O futuro do acesso pago

Agora vem o verdadeiro teste. Podemos construir um modelo de pagamento funcional?

Os editores estão trabalhando nisso. Existem acessos pagos em todos os lugares. No entanto, a adoção é lenta. Os usuários são resistentes. Este sistema ainda está em seus estágios iniciais. Até que as pessoas realmente paguem pelo conteúdo em vez de navegar pelos anúncios, o banho de cliques prevalecerá. Clickbath não financia trabalhos investigativos profundos.

Poderá o jornalismo de qualidade acompanhar esta nova realidade económica?

É possível. No entanto, isso não é garantido. Esta infra-estrutura ainda não foi construída. Veremos se esse modelo crescerá ou se os amadores continuarão a escrever de graça enquanto os gigantes lucram com a economia da atenção.

A resposta não está nas manchetes. Está na sua carteira. A maioria das carteiras está atualmente fechada.