Por que as mulheres correm com medo: aplicativos, equipamentos e a realidade dos treinos individuais

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Corro quase todos os dias. Essa é minha rotina há quase dez anos. Eu supero resfriados. Eu corro no calor, na chuva e na neve. Eu corri enquanto estava grávida. Caí na calçada exatamente seis semanas após o parto. Até corro com um bebê no carrinho.

Apesar de tudo, corro assustado.

Em apenas duas semanas, durante o verão de 2016, três mulheres nos Estados Unidos foram mortas enquanto corriam sozinhas. Aquele ano não foi uma anomalia. Uma pesquisa da Runner’s World de 2019 revelou que 84% das mulheres sofreram alguma forma de assédio enquanto corriam. Os incidentes variaram de apalpar e ser seguido até ser flagrado. Houve também agressões mais sutis, como vaias, buzinas agressivas e comentários obscenos.

As mulheres não podem se dar ao luxo de correr em trilhas isoladas ou caminhar por estradas desertas sem um estado de alerta constante. Aqueles que passam momentos solitários ao ar livre sabem o que é ficar em guarda mesmo quando a adrenalina e as endorfinas criam uma euforia.

A disparidade é gritante. Parece irresponsável para uma mulher correr sozinha à noite, mas um homem pode sair alegremente pela porta muito depois do pôr do sol. A realidade é dura. Correr como mulher é injustamente perigoso. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não publica estatísticas prontamente disponíveis sobre ataques contra corredores, sejam eles homens ou mulheres. Ficamos com notícias sobre sobreviventes e vítimas.

“Embora a melhor solução seja erradicar a violência contra as mulheres, talvez seja necessário encontrar um curativo mais rápido.”

Então, qual é a resposta prática? Não podemos esperar por mudanças sistémicas. Precisamos de ferramentas imediatas. Existe agora um mercado crescente de aplicativos de segurança e recursos físicos para ajudar a garantir treinos mais seguros para todos.

Aplicativos de rastreamento e emergência

A tecnologia oferece visibilidade imediata para quem trabalha sozinho. O Glympse permite que amigos ou familiares rastreiem sua localização GPS por um período determinado. Eles não precisam baixar o aplicativo para ver seu progresso. Isso fornece uma ligação digital sem exigir comunicação constante.

BSafe vai um passo além com um botão SOS. Também inclui recursos para desconforto diário. Você pode receber um telefonema falso para criar uma desculpa para sair de uma situação desconfortável. Há uma preocupação válida sobre o acionamento acidental desses botões de pânico ao registrar milhas, mas a opção permanece lá para emergências verdadeiras.

RoadID oferece uma abordagem diferente. Os usuários deixam uma “emigalha” para familiares e amigos interessados ​​em seu paradeiro. Ele também possui uma função de “alerta estacionário”. Se o sistema detectar que você não está se movendo por um período inesperado, ele executará ping nos contatos selecionados.

Equipamento de defesa física

Os aplicativos são úteis, mas os sistemas de defesa física continuam sendo essenciais para muitos corredores. Alguns sutiãs esportivos agora incluem pequenos bolsos projetados especificamente para guardar uma faca ou spray de pimenta. Isso mantém o item acessível sem adicionar volume ao seu equipamento.

Ferramentas especializadas também entraram no mercado. TigerLady oferece uma ferramenta de autodefesa retrátil em forma de garra. Ele foi projetado para ser transportado facilmente e implantado rapidamente.

Go Guarded introduziu um anel de borda serrilhada. Este item foi projetado para ser fácil de usar em momentos de alto estresse. Serve tanto como joia quanto como um potencial dissuasor.

Soluções de baixa tecnologia

Se a tecnologia parece muito atrito, os métodos tradicionais ainda têm peso. Correr com um amigo é a medida de segurança mais antiga e eficaz.

Correr com um cachorro grande e corpulento é outra opção viável. Muitos cães apreciam o exercício e proporcionam um impedimento visível para ameaças potenciais.

O medo não desaparece. Os aplicativos ajudam. O equipamento ajuda. Mas a desigualdade subjacente permanece. Podemos realmente esperar que as mulheres tratem o ar livre como um parque infantil quando as estatísticas sugerem o contrário?